quinta-feira, 7 de outubro de 2010

As categorias das igrejas “sui iuris"

Para conhecer melhor as igrejas orientais
Por Hani Bakhoum Kiroulos

Sínodo dos Bispos para a Terra Santa
Roma, quinta-feira, 7 de outubro de 2010


O Código dos Cânones das Igrejas Orientais estabelece que as categorias das Igrejas sui iuris são quatro: a primeira é a das Igrejas patriarcais, seguida das outras três, que são as Igrejas arcebispais maiores, as Igrejas metropolitanas e as demais Igrejas sui iuris. Estas categorias “representam a escala ascendente da autonomia eclesiástica destas Igrejas, que corresponde a sua madurez no plano eclesiástico” [1]. Esta diversidade eclesiástica, no entanto, não afeta a igualdade da dignidade entre as diversas categorias.

A Igreja patriarcal
O Concílio Vaticano II não só afirma que a instituição da Igreja patriarcal pertence à antiga tradição e que está reconhecida desde os primeiros Concílios Ecumênicos, mas que sua declaração mais importante é que tal consuetudo “deve se atribuir à divina Providência” [2]. Esta divina Providência mostrou-se com o nascimento de muitas comunidades cristãs, com a pregação dos Apóstolos e de seus sucessores e com a instituição dos bispos e das dioceses nas grandes cidades. Iniciou-se, portanto, o chamado “reagrupamento” das diversas dioceses em torno a uma diocese principal. Este reagrupamento estava determinado por vários critérios: cultural, social e político, que fez que os bispos se reunissem ao redor de grandes cidades como Roma, Alexandria e Antioquia. A primeira pessoa que atribuiu o termo de “Patriarca” aos bispos de Roma, de Alexandria e de Antioquia foi o imperador Justiniano I (527- 565). O título de Patriarca, portanto, começou a substituir o termo “Eparca” [3] somente para estes três bispos. Nasceu portanto a chamada “triarquia jurisdicional”. Com a instituição dos patriarcados de Jerusalém e Constantinopla, a triarquia se transformou em pentarquia jurisdicional dos Patriarcas. 

– A hierarquia da Igreja patriarcal sui iuris
A Igreja patriarcal está presidida pelo Patriarca e está constituída por vários institutos, os quais junto com o Patriarca governam essa Igreja de forma colegial. O Patriarca é eleito segundo as normas dos cânones 63-77. Canonicamente, o Patriarca é eleito pelo Sínodo dos bispos da Igreja patriarcal. O Sínodo reúne-se, segundo as normas do direito, antes de se cumprir um mês de vacância da sede patriarcal. Têm direito a voto somente os membros do Sínodo dos bispos da Igreja patriarcal. Para a validade da eleição, é necessária a presença de ao menos dois terços dos bispos convocados. Quem recebe os dois terços dos votos é declarado eleito. Se os escrutínios superam um certo número – ao menos três – sem poder levar a esta maioria, ao menos que por direito particular não seja estabelecido de forma distinta, a norma estabelece que seja suficiente a maioria dos votos e que a eleição se leve a termo segundo a norma do can. 183 §§ 3 e 4. Antes de quinze dias, se a eleição não acontece, a própria se remete ao Romano Pontífice, já que “o Romano Pontífice é quem garante este funcionamento da vida sinodal das Igrejas orientais e guarda para que este funcionamento se realize segundo as normas do direito” [4]. Após a eleição e a aceitação do novo eleito, se este já é bispo, procede-se por parte do Sínodo a sua proclamação e entronização como Patriarca, segundo as normas do direito, “que implica o prévio consentimento do Romano Pontífice no que respeita à dignidade episcopal”[5]; se, em contrapartida, o eleito foi legitimamente proclamado bispo, mas ainda não está ordenado, antes tem de ser ordenado bispo e depois se procede como no caso precedente. Toca ao Sínodo dos bispos da Igreja patriarcal informar a Sé Apostólica da eleição realizada. Por parte do novo eleito, deve ser enviada uma carta, como sinal de comunhão, aos Patriarcas das demais Igrejas orientais e outra carta ao Romano Pontífice para pedir a comunhão eclesiástica.

– A potestade do Patriarca
O Patriarca é um bispo qualificado como primus inter pares [6]. Uma vez que o Patriarca recebeu a communio ecclesiastica, pode também convocar o Sínodo e ordenar bispos. O Patriarca preside sua própria Igreja como pater et caput, preside o Sínodo dos bispos da Igreja patriarcal, o Sínodo permanente e a assembleia patriarcal, e representa sua própria igreja em todos os assuntos jurídicos. A potestade do Patriarca, exercida segundo a norma do direito estabelecido ou aprovado pela Suprema Autoridade da Igreja, é ordinária e própria, mas pessoal. Esta potestade está limitada dentro dos confins do território da Igreja patriarcal, a menos que não conste diversamente pela natureza do assunto, ou também pelo direito comum ou patriarcal aprovado pelo Romano Pontífice. Fora do território, o Patriarca tem de fato a potestade pessoal sobre todos os fiéis, somente a respeito do patrimônio litúrgico. Dentro dos limites de seu patriarcado, o Patriarcado possui a potestade executiva mas não legislativa nem a judicial. Sua potestade, algumas vezes, está condicionada pelo Sínodo dos bispos de sua própria Igreja ou pelo Sínodo permanente. Quer dizer, o Patriarca goza de uma potestade pessoa, que exerce sem ser condicionado por ninguém, e de outra potestade limitada pelo consenso do Sínodo da Igreja patriarcal e pelo Sínodo permanente.

– O Sínodo da Igreja Patriarcal
Este Sínodo constitui a instância superior da Igreja patriarcal. O Patriarca convoca o Sínodo e o preside. De fato, “não se pode entender o funcionamento do Sínodo sem a presença do Patriarca, quem o convoca, o preside e promulga suas decisões, atribuindo assim a canonicidade a sua tarefa” [7]. O Sínodo dos bispos está composto somente por todos os bispos ordenados para o serviço desta igreja onde estejam constituídos, dentro e fora dos confins do território da Igreja patriarcal. O Sínodo goza da potestade legislativa que consiste na emanação de leis para toda Igreja patriarcal e em sua interpretação. Toca também ao Sínodo a potestade judicial. Este constitui o tribunal superior dentro dos limites do território da própria Igreja, ficando salva a competência da Santa Sé.

– O Sínodo permanente
Este Sínodo é o instituto fundamental da cúria patriarcal. O Sínodo permanente está composto pelo Patriarca e por quatro bispos, dos quais três são eleitos pelo Sínodo dos bispos da Igreja patriarcal e um é eleito e nomeado pelo Patriarca. A eleição dos três bispos é “a maior novidade do Codex Canonum Ecclesiarum Orientalium que, ademais, considera a figura do Sínodo permanente substancialmente sem mudanças a respeito do direito precedente, à parte quanto já se disse sobre seu poder judicial” [8]. Toca ao Patriarca convocar o Sínodo permanente e presidi-lo. Esta Sínodo deve ser convocado em tempos determinados, ao menos duas vezes ao ano, e cada vez que necessita de seu consenso ou conselho, para a validade dos assuntos da Igreja patriarcal. O Sínodo permanente, portanto, tem a tarefa de “acompanhar o Patriarca no exercício ordinário – se diria quase cotidiano – de sua potestade executiva” [9]. Dada a importância do papel deste Sínodo, este se considera indispensável para a Igreja patriarcal. O Sínodo permanente, portanto, não simplesmente um instituto de consulta, mas sobretudo um modo permanente de participação para os bispos eparquiais no governo de sua própria Igreja patriarcal.

– A assembleia patriarcal
A assembleia patriarcal oferece a possibilidade, não só aos bispos, mas a muitos membros da Igreja patriarcal: sacerdotes, diáconos, religiosos e leigos, de ter um papel consultivo para alguns assuntos que têm a ver com sua própria Igreja. De fato, o can. 140 define esta assembleia como o agrupamento consultivo de toda a Igreja patriarcal, que tem o papel de colaborar com o Patriarca e com o Sínodo dos bispos da Igreja patriarcal. A assembleia patriarcal deve ser convocada ao menos uma vez a cada cinco anos e cada vez que o Patriarca requeira, com o consenso do Sínodo dos bispos ou do Sínodo permanente. Toca ao Patriarca convocar a assembleia patriarcal, presidi-la e nomear o vice-presidente que o substitua para presidir a assembleia no caso de ausência sua. A assembleia patriarcal se dirige por seus estatutos aprovados pelo Sínodo dos bispos da Igreja patriarcal.
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1) G. NEDUNGATT, Le Chiese Cattoliche Orientali e il Nuovo Codice dei Canoni, en La Civiltà Cattolica 1992, I, 329.
2) I. ŽUŽEK, Un Codice per una “Varietas Ecclesiarum”, 5.
3) Cfr. F. SOLLAZZO, I Patriarchi nel Diritto Canonico Orientale e Occidentale, en Atti del Congresso Internazionale: Incontro fra Canonisti d’Oriente e d’Occidente (Bari 1991), dirigido por R. COPPOLA, II, Bari 1994, 240.
4) D. SALACHAS, Le Chiese Patriarcali, 83.
5) I. ŽUŽEK, Un Codice per una “Varietas Ecclesiarum”, 14.
6) Nuntia, 15 (1982) 5 e 22 (1986) 5.
7) D. SALACHAS, Lo Statuto “sui iuris” delle Chiese Patriarcali nel Diritto Canonico Orientale, 596.
8) I. ŽUŽEK, Un Codice per una “Varietas Ecclesiarum”, 19.
9) Idem.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

DOM EMANUEL D’ABLE DO AMARAL OSB

                                                   D. Emanuel D'Able do Amaral, OSB


Dom Emanuel D´Able do Amaral nasceu no Rio de Janeiro, no bairro de Santa Teresa, no dia 13 de agosto de 1957. Filho de Joaquim Dias do Amaral (carioca) e de Catarina Lúcia d’Able do Amaral (Pernambucana). Nome civil: Joaquim Augusto d’Able do Amaral.
Antes de entrar para a vida monástica morou nas cidades do Rio de Janeiro, Vassouras (RJ), São Lourenço (MG), Engenheiro Paulo de  Frontin (RJ) e Valença (RJ).
Entrou para a Ordem de São Bento em 30 de janeiro de 1978, no Mosteiro de São Bento de São Paulo. Nesse mosteiro iniciou o postulantado e mais tarde o noviciado. Além da formação monástica básica estudou latim, francês e grego bíblico. Em 1979 iniciou o Curso de Filosofia no Mosteiro de São Paulo, terminando em 1981.
Participou como membro fundador do Mosteiro da Ressurreição de Ponta Grossa.  No Ifiteme (Instituto de Filosofia e Teologia Mater Ecclesiae) estudou Teologia de 1982 a 1985. Alem do grego bíblico também estudou hebraico. Em 1985 foi nomeado Sub-Prior do Mosteiro. Foi ordenado sacerdote em 7 de dezembro de 1985 em Engenheiro Paulo de Frontin RJ por Dom Waldyr Calheiros de Novaes (Bispo de Barra de Piraí-Volta Redonda).
Esteve em Roma de 1987 a 1989 estudando Teologia Bíblica (Licenza Specializata = mestrado no Brasil) na Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Gregoriana, residindo no Colégio Santo Anselmo, sede Ordem de São Bento, no Monte Aventino.
Retornando ao Brasil em 1989 iniciou sua  carreira como Professor de Sagrada Escritura no Ifiteme. Foi nomeado pelo Bispo Diocesano de Ponta Grossa como um dos “Diretores Espirituais do Seminário Diocesano”. Foi também eleito Co-Visitador pelo Capítulo Geral da  Congregação Beneditina do Brasil em 1993.
 Foi professor até 22 de junho de 1994 quando foi eleito 79° abade do Mosteiro de São Bento da Bahia. Sendo instalado no cargo na tarde do dia 23 de junho por Dom Basílio Penido, Abade Presidente da Congregação Beneditina do Brasil. Recebeu a bênção abacial no dia 11 de setembro de 1994, na Catedral Basílica, de Dom Frei Lucas Cardeal Moreira Neves O.P.
Logo que chegou a Salvador como abade pegou o início do plano de revitalização do mosteiro com a participação da Odebrecht, do Governo do Estado da Bahia e de outras instituições. No final de 1994 inaugurou o novo Colégio de São Bento (com o segundo grau) e a Basílica abacial de São Sebastião. Em 1995 abriu a Biblioteca aos pesquisadores, o Museu São Bento e o Laboratório de Restauração de Livros Raros. A Basílica do Mosteiro foi aberta à música sacra e erudita.
No dia 5 de junho de 1995, Solenidade de Pentecostes, retomou o “Canto Gregoriano” na missa conventual aos domingos. Incentivou a gravação do primeiro CD com Cantos Gregorianos.
Recebeu a Medalha Tomé de Souza, conferida pela Câmara Municipal de Salvador em 11.12.96, por proposta dos vereadores João Carlos Bacelar e Silvoney Salles.
Foi eleito “Personalidade de destaque no meio cultural da Bahia” pelo Conselho Estadual de Cultura em 12.12.96, por proposta do poeta  Fernando da Rocha Peres.
Recebeu o certificado de colaborador do Curso Internacional de Extensão Universitária “América Latina Comunicação e Cultura” da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo em 05.11.97.
Sendo o Mosteiro da Bahia elevado pelo Papa João Paulo II à categoria de Arquiabadia em 24 de novembro de 1998, foi “ipso facto” elevado ao cargo de Arquiabade.
Foi também designado como membro teólogo pelo Governo Federal através do Ministério da Saúde para compor o “Comitê de Ética em Pesquisa” do Centro de Pesquisa Gonçalo Muniz da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Salvador.
Foi eleito Abade Presidente da Congregação Beneditina do Brasil em 1° de maio de 2002 no Capitulo Geral em Brasília (DF).
Em 2002 fundou o ITESB (Instituto Teológico São Bento), com biênio filosófico e quatriênio teológico. Foi o primeiro Diretor desse Instituto. Fundou a Revista Análise &Síntese, em 2002. Revista de Filosofia e Teologia.
Em 24 de agosto de 2004 foi assinado pelo Ministro da Educação o documento que aprovou a “Faculdade São Bento da Bahia” e como Arquiabade e Presidente da Mantenedora recebeu o título de Grão-Chanceler.
Recebeu o Título Honorífico de “Cidadão Baiano” conforme resolução número 1299 de 17 de abril de 2002, por indicação da Deputada Estadual Lídice da Mata (PSB).
Foi nomeado pela Santa Sé “Visitador Apostólico” da Abadia Territorial de Nossa Senhora de Montserrat, Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro.
Recebeu o Diploma como participante Revista Imprensa: CNP: Petróleo e Ecologia.
Recebeu a Medalha Dois de julho no dia 27 de dezembro de 2004, sendo Prefeito Dr. Antônio Imbassahy,
Foi reeleito Abade Presidente no último Capítulo Geral da Congregação Beneditina do Brasil, reunido no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, no dia 27 de abril de 2008, para mais um e último mandato de três anos.
É Titular da Cadeira 34 do Instituto Genealógico da Bahia. Tomou posse em 11 de junho de 2008 nessa cadeira que pertenceu ao saudoso e querido Dr. Jorge Calmon. Foi aclamado como Presidente de Honra desse Instituto.
Foi novamente homenageado pela Associação dos Funcionários Públicos do Estado da Bahia na passagem dos 90 anos daquela Associação no último 29 de agosto de 2008.
Foi nomeado Conselheiro do Conselho Federal Estadual Consultivo do Iphan Bahia-Sergipe (novembro de 2008).
Eleito para a Cadeira 37 da Academia de Letras da Bahia no dia 20 de novembro de 2008. Tomou posse no dia 28 de maio de 2009, sendo saudado pelo acadêmico Fernando da Rocha Peres.
Membro da Irmandade do Santíssimo Sacramento e Nossa Senhora da Conceição da Praia (Salvador) e da Confraria do Santo Condestável São Frei Nuno de Santa Maria Álvares Pereira (Colegiada de Santa Maria da Misericórdia do Castelo de Ourém em Portugal).
É Comendador Honorário da Real Ordem de São Miguel da Ala e Capelão para o Brasil da Real Irmandade de São Miguel da Ala (Portugal).
É também “Sócio Honorário” do “Istituto Sacro Romano Impero” que tem sua sede na cidade de Florença (Itália).
Possui o título nobiliárquico hereditário de Conde  d’Able do Amaral, outorgado pelo Rei Kigeli V de Ruanda.
É Comendador e Grão-Prior da Delegação Magistral de São Salvador da Bahia da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém.

Escreveu o livro “Introdução à História Monástica” Edições São Bento, Salvador, 2006. O livro é resultado de suas aulas de História Monástica. Foi uma tentativa de oferecer aos leitores da língua portuguesa uma Introdução Geral ao monaquismo desde as origens ao século XIX.  Não existia em português uma obra assim. Havia textos dispersos sobre o monaquismo.  Esse livro veio preencher uma lacuna e está sendo utilizado  nos mosteiros em cursos preparatórios para o vestibular e em  Cursos Superiores.
            Tem artigos publicados em diversas revistas nacionais e internacionais.
Ao longo desses 16 anos que reside em Salvador, como abade do mosteiro, concedeu diversas entrevistas sobre diferentes assuntos aos jornais da cidade e do exterior e também a algumas redes de televisão de difusão estadual, nacional e em rede por assinatura. Algumas dessas entrevistas aos jornais e televisões encontram-se nos arquivos do mosteiro e outras imagens estão nos arquivos das televisões de Salvador.
Fez também algumas apresentações em livros que foram publicados através das Edições São Bento do Mosteiro da Bahia e de alguns livros de outras Edições tais como: A Apresentação do livro “Ensinamentos de um Abade”, de Dom Joaquim de Arruda Zamith OSB, Abade Emérito de São Paulo e ex Abade Presidente, Edições Subiaco, Juiz de Fora 2005 e também a apresentação da “Introdução a Liturgia” do Professor Edes Andrade Pereira. Tem também um texto de sua autoria no início do livro “O Milagre de Dom Amoroso” do escritor Eduardo Diogo Tavares.  Ajudou também na revisão deste livro.
As homilias que fez durante esses 16 anos na Basílica do mosteiro estão sendo digitadas para serem oportunamente publicadas.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Audiência com Bento XVI encerra visita Ad Limina do Regional Nordeste 3

Nesta sexta-feira, 10, o papa Bento XVI recebeu em audiência, em Castel Gandolfo, os bispos do Regional Nordeste 3 da CNBB (Bahia e Sergipe). O esperado encontro em grupo dos 28 bispos em visita "Ad Limina" teve início com o discurso de saudação dirigido ao papa pelo bispo de Itabuna e presidente do Regional, dom Ceslau Stanula.

"Beatíssimo Padre, ansiosamente esperávamos a chegada deste feliz momento do encontro com Vossa Santidade na visita “ad Limina Apostolorum”. Viemos aqui como sucessores dos apóstolos a fim de venerar os túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo, encontrarmo-nos com o Bispo de Roma e reafirmar a nossa comunhão com o sucessor de Pedro (...) Trazemos também a saudação dos aproximadamente 16 milhões de pessoas que estão entregues ao nosso pastoreio nestes dois Estados: Bahia e Sergipe”, disse dom Ceslau. Ele concluiu sua saudação pedindo para todos os fiéis, da Bahia e Sergipe, a confortadora bênção apostólica do papa Bento XVI.

A seguir, o Pontífice dirigiu seu discurso aos bispos do Regional Nordeste 3. Após saudar calorosamente os 28 bispos presentes, e agradecer as palavras que lhe foram dirigidas por dom Ceslau, Bento XVI ressaltou: "Há mais de cinco séculos, justamente na vossa região, se celebrava a primeira Missa no Brasil, tornando realmente presente o Corpo e o Sangue de Cristo para a santificação dos homens e das mulheres desta bendita nação que nasceu sob os auspícios da Santa Cruz. Era a primeira vez que o Evangelho de Cristo vinha a ser proclamado a este povo, iluminando a sua vida diária. Esta ação evangelizadora da Igreja Católica foi e continua sendo fundamental na constituição da identidade do povo brasileiro caracterizada pela convivência harmônica entre pessoas vindas de diferentes regiões e culturas”. Em seguida, o papa frisou que apesar de os valores da fé católica terem moldado o coração e o espírito brasileiros, hoje se observa uma crescente influência de novos elementos na sociedade, que há algumas décadas eram-lhe praticamente alheios. O pontífice evidenciou a questão do abandono de muitos católicos da vida eclesial ou mesmo da Igreja, enquanto no panorama religioso do Brasil se assiste à rápida expansão de comunidades evangélicas e neopentecostais. "Em certo sentido as razões que estão na raiz do êxito destes grupos são um sinal da difundida sede de Deus entre o vosso povo. É também um indício de uma evangelização, a nível pessoal, às vezes superficial; de fato, os batizados não suficientemente evangelizados são facilmente influenciáveis, pois possuem uma fé fragilizada e muitas vezes baseada num devocionismo ingênuo, embora, como disse, conservem uma religiosidade inata”. Diante dessa situação, Bento XVI advertiu uma imperiosa necessidade: "Com o crescimento de novos grupos que se dizem seguidores de Cristo, ainda que divididos em diversas comunidades e confissões, faz-se mais imperioso, da parte dos pastores católicos, o compromisso de estabelecer pontes de contato através de um sadio diálogo ecumênico na verdade.  Tal esforço é necessário, antes de qualquer coisa, porque a divisão entre os cristãos está em contraste com a vontade do Senhor de que «todos sejam um» (Jo 17,21). Além disso, a falta de unidade é causa de escândalo que acaba por minar a credibilidade da mensagem cristã proclamada na sociedade”, completou o papa, que concluiu o encontro com uma saudação apostólica.

A visita Ad Limina do Regional Nordeste 3 termina neste sábado, 11.

CNBB com RV

Formação litúrgico-musical acontece na arquidiocese de Curitiba

Qua, 29 de Setembro de 2010 14:28 CNBB

Com o objetivo de dar qualificação e formação na área da liturgia, o setor Colombo da arquidiocese de Curitiba (PR) realiza todos os anos uma Semana de Liturgia. Este ano, o evento acontece desde ontem, 28, e segue até amanhã, 30. O tema de estudo e aprofundamento é a Função Ministerial e Estética da Música na Liturgia.

“Na liturgia, enquanto ação celebrativa, o canto e a música têm um papel fundamental como sua parte integrante, possuindo, por isso, um caráter sacramental. A música litúrgica exerce um verdadeiro ministério, não é apenas um simples meio de ornamentação e embelezamento da liturgia”, explica o assessor de Música Litúrgica da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre José Carlos Sala. Padre Sala destaca ainda que é fundamental e urgente para todos os que exercem o serviço da música na liturgia (cantores, instrumentistas, salmistas, animadores, compositores) uma adequada formação litúrgica para que as músicas que forem executadas e sua interpretação estejam em sintonia com os momentos e gestos rituais, valorizando a participação ativa da assembleia.

Os trabalhos desta Semana de Liturgia são conduzidos por padre Sala com organização do padre Marcos Paulo Honório da Silva, contando com a participação de mais de 350 agentes de música litúrgica.

Fonte: CNBB

Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos realiza Encontro Litúrgico em Bogotá

A Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) participou do Encontro Litúrgico Latino-americano e Caribenho, promovido pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. O encontro foi presidido pelo cardeal, prefeito da congregação, dom Antônio Llovera Cañares e pelo sub-secretário, monsenhor Juan Miguel Ferrer. O Encontro Litúrgico aconteceu na sede da Conferência Episcopal Colombiana, em Bogotá, entre os dias 20 a 24. Estiveram presentes os bispos presidentes das Comissões de Liturgia e seus assessores das 22 Conferências da América Latina e do Caribe, além dos bispos e assessores convidados de Portugal, Espanha e os responsáveis pelos povos de língua espanhola na Conferência Episcopal dos Estados Unidos da América. Além desses, estiveram presentes a Equipe de Assessores da Seção de Liturgia do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM). Do Brasil, foram os bispos: dom Joviano de Lima Júnior (arcebispo de Ribeirão Preto-SP e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB); dom Fernando Panico (bispo de Crato-CE) e dom Sérgio Aparecido Colombo (bispo de Bragança Paulista), além do assessor da Comissão para a Liturgia, padre Hernaldo Pinto Farias, irmã Veronice Fernandes, e João Martins Filho. O tema central estudado foi “A vida litúrgica e a Igreja na América Latina após a Conferência de Aparecida”.  “É urgente que a Igreja reavive o sentido e a importância da liturgia, que, com a Bíblia e os escritos dos Santos Padres, é a fonte da santificação da pessoa humana e o espaço da glorificação de Deus”, destaca padre Hernaldo. No dia 22, cada Conferência Episcopal teve a oportunidade de apresentar a sua realidade litúrgica, relatando as conquistas, as dificuldades e os desafios encontrados no trabalho da liturgia em seu país. No mesmo dia houve o encontro entre as Comissões de Liturgia de Brasil e Portugal, para discutir pontos referentes à tradução da terceira edição típica do Missal Romano.