quarta-feira, 5 de maio de 2010

Maria, Mãe de Deus

Ninguém jamais experimentou o mistério inefável da salvação, como Maria, a Mãe de Deus. Ela acolheu, profundamente, no coração esta realidade sublime que foi a obra salvífica de seu Filho. Por isto, Ela é para nós a Mãe de Misericórdia, porque, mais do que ninguém ela conheceu a fundo o amor desvelado de Deus para com suas criaturas, revelado na Encarnação do Verbo em seu seio puríssimo. Tanto isto é verdade que, no seu cântico de louvores ao Criador, ela afirmou que a misericórdia divina se estende de geração em geração (Lc 1,50), tornando-se ela mesma um canal extraordinário das redentoras graças divinas. Desde o dia triunfal da ressurreição de Cristo, fundamento de nossas esperanças, a Igreja jamais deixou de dirigir à Mãe de Jesus uma parte de sua gratidão pelo incomparável benefício que prestou ao gênero humano e pelas múltiplas e repetidas provas de sua assistência materna. Para que, de um modo visível, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade visitasse esta terra, para que se fizesse homem como nós e nos ensinasse o caminho da reabilitação, era necessário que uma mulher pelas suas virtudes e merecimentos, atraísse a atenção de Deus e O fizesse vir até nós. Mister se fazia que uma representante do gênero humano, bastante pura, santa, perfeita, que na terra fosse sua mãe, concretizasse em si aquela grandeza que deveria ter aquela que daria aos homens o Messias prometido. Era necessário que alguém sustentasse entre nós a pesada coroa, tão nobilitante, honorífica, mas difícil de se conservar: a coroa da santidade existencial. Esta foi a notável missão de Maria Virgem na obra da redenção da humanidade, obra salvadora realizada pelo Filho de Deus que se fez homem e habitou entre nós. Eis por que os cristãos sempre honraram e veneraram esta criatura privilegiada. Deparamos suas formosas imagens nos mais antigos recintos religiosos da cristandade. Todas as gerações que se sucederam no decorrer dos tempos foram transmitindo umas às outras, como herança preciosa, como valioso patrimônio, o culto daquela que neste mundo foi verdadeiramente a Mãe de Deus. Todos pararam um momento diante dos altares de Maria Virgem. Todos a lhe dirigirem uma súplica a implorarem sua poderosa proteção. Os séculos passados lhe edificaram inclusive suntuosas catedrais, lhe cantaram maviosos hinos, derramaram contritas lágrimas de piedade e de amor diante de suas estátuas. Os tempos modernos, cujo ideal parece ser a negação das crenças antigas, cuja ambição se apresenta como demolição da moral religiosa, dos princípios éticos fundamentais sobre os quais descansa o edifício social, a organização da família e a consciência do indivíduo, volvem ainda amorosamente os olhos à Virgem Santa e dela se lembram nos dias de grande calamidade, para ela se voltam nos instantes de amargura e sofrimento. É que no íntimo dos corações, no mais profundo da consciência, está insculpido o senso deste poder superior que desce do seu trono de graça e de misericórdia por ser ela Rainha poderosa, Mãe do Verbo de Deus Encarnado.

Fonte: Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho - :Mariana (MG)

terça-feira, 4 de maio de 2010

“Igreja atravessa um momento de profunda tristeza e amargura”, diz dom Lorenzo Baldisseri

O núncio apostólico no Brasil, dom Lorenzo Baldisseri, presidiu a missa que abriu a 48ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, nesta terça-feira, 4, no Santuário Dom Bosco, em Brasília (DF). Em sua homilia, dom Lorenzo discorreu sobre a paz e sobre o momento atual vivido pela Igreja, por causa dos casos de pedofilia praticados por membros do clero.


“A Igreja hoje atravessa um momento de profunda tristeza e amargura, um Getsêmani, um suor de sangue com dor e sofrimento”, disse o núncio. “A Igreja figura nas páginas dos jornais e de outros meios de comunicação, fustigada, exposta ao público ludíbrio, pelas fraquezas de alguns de seus membros qualificados, os quais foram responsáveis de pecados e crimes gravíssimos, passiveis de juízo diante de Deus e dos tribunais”, continuou.

Para o núncio, este é um tempo de purificação e de penitência. “Acompanhamos com lucidez e clareza quanto acontece e os pastores e os Superiores maiores estão convidados a tomar de imediato as medidas adequadas, instruídas pela Santa Sé, para aplicar as penas correspondentes aos responsáveis dos crimes cometidos no território ou nas áreas de própria competência, todos solidários para fazer frente a qualquer tipo de especulação e instrumentalização e, sobretudo, unidos ao Santo Padre, atingindo em primeira pessoa, por uma campanha orquestrada e perversa, volta a desacreditar a Igreja e aos seus membros mais elevados em hierarquia. Roguemos a Deus!”, afirmou.

A missa teve a participação especial de 13 novos bispos, nomeados desde a última assembleia. “Sintam-se bem acolhidos e recebidos com um abraço fraternal, no início do vosso pastoreio nas diferentes Dioceses do Brasil”, sublinhou dom Lorenzo. “Sei que estais ainda experimentando o temor e o tremor da primeira notícia e sabeis que a graça de Deus é grande e sereis recompensados pela vossa generosa disponibilidade para servir a Igreja”.

A Assembleia, que reúne mais de 300 bispos, continua até o dia 13 e tratará de vários temas como a Palavra de Deus, Comunidades Eclesiais de Base, Questão Agrária, Programa de Direitos Humanos e pedofilia. A Assembleia deverá aprovar também uma declaração sobre o momento político.

Fonte: CNBB

Em carta, presidente Lula saúda bispos participantes da 48ª Assembleia Geral



Na manhã do dia 30 de Abril de 2010, na abertura da 48ª AG, em Brasília, o arcebispo de Manaus (AM) e vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Luiz Soares Vieira, leu uma carta enviada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha.




Carta

Brasília, 30 de abril de 2010

A  S. Excia. Revma.
Dom Geraldo Lyrio
DD. Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
Meu Prezado Dom Geraldo,

Neste momento em que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil realiza em Brasília sua Assembleia Geral, tomo a liberdade de lhe enviar minha fraterna saudação, com o pedido de que esta mensagem seja comunicada aos Eminentes Senhores Cardeais, aos Senhores Arcebispos, Bispos, Sacerdotes, Religiosos e Religiosas, bem como a todos que compõem e participam desta grande Assembleia.

Antes de mais nada, quero cumprimentar a direção da CNBB pela iniciativa de realizar em Brasília, que comemora seus cinqüenta anos, tanto sua Assembleia Geral como o XVI Congresso Eucarístico Nacional. Esses dois eventos, além de honrarem e dignificarem a comemoração dos cinqüenta anos da Capital do País, certamente, por sua densidade espiritual, nos ajudarão na superação da grave crise política e ética que se abate tristemente sobre esta Cidade.

Como o Senhor deve se lembrar, tive a honra de visitar, em meu primeiro ano de Governo, a Assembleia Geral da CNBB que se realizava em Itaici; agora, esta Assembleia que se inicia coincide com meu último ano de Governo. Neste momento, Dom Geraldo, minha primeira palavra é de agradecimento pelo diálogo e pela convivência franca e fraterna que tivemos ao longo desses quase 8 anos. O apoio da Igreja Católica em suas instâncias nacional, regionais e locais foi fundamental para que pudéssemos realizar e implementar as políticas sociais nestes dois mandatos. Tenho consciência de quanto são importantes os convênios com as entidades religiosas para que as políticas sociais aconteçam de fato em todo o País e em toda sua capilaridade junto ao povo mais pobre e excluído. Ao mesmo tempo, as críticas e os embates, em temas específicos, que vivenciamos com maturidade nos ajudaram a corrigir erros e limitações. As divergências e posições diferenciadas que tomamos não afastaram em nenhum momento nossa vontade de diálogo e mútua contribuição.

Nosso Governo, Dom Geraldo, procurou nestes anos pautar-se pelo necessário equilíbrio entre sua definição como Governo de um Estado laico, e, ao mesmo tempo, desenvolver uma política de intenso diálogo com as diferentes Igrejas e Religiões. Tenho consciência dos desafios que esta posição implica, por se tratar muitas vezes de um debate entre diferentes culturas, sensibilidades e concepções éticas. No entanto, não abrimos mão deste relacionamento franco e foi nesta perspectiva que debatemos e levamos a bom termo nosso Acordo firmado e ratificado com a Santa Sé. Entendemos que este Acordo se constitui num avanço da institucionalização de nossas relações, dando maior segurança para a atuação da Igreja Católica em nosso País.

Mas sem dúvida, a questão que mais nos aproxima e identifica é o cuidado para com este grande contingente de brasileiros que ao longo da história foi mantido à margem da cidadania em seus mínimos direitos. Para mim, dom Geraldo, esta é a questão central da grande discussão, tão atual, em torno dos Direitos Humanos. Tenho consciência, Dom Geraldo que o Estado e o Governo estão em dívida com amplos setores da sociedade brasileira. E neste aspecto, sei muito bem que muito ainda resta a fazer, e um longo caminho a percorrer até que este País se constitua de fato numa verdadeira Nação e seus filhos tenham sua dignidade respeitada, e assegurado seu direito à participação verdadeiramente democrática em todos os sentidos.

Por outro lado, Dom Geraldo, confesso para o Senhor que o que mais me orgulha quando revejo estes longos anos de trabalho, é a constatação de que efetiva e concretamente conseguimos reduzir a fome, a miséria e a exclusão de nosso Povo ... e aí os números não mentem. Minha maior alegria nestes tempos consiste em observar os dados que efetivamente demonstram a redução das taxas da exclusão. Porque sabemos todos que atrás de cada número se escondem milhares de seres humanos que começam a realimentar sua esperança de vida digna. Da mesma forma bem sei que esses resultados foram fruto de escolhas claras e definidas que desagradaram a alguns, mas que acenderam uma nova luz no coração de nossa gente. Não me iludo nem me envaideço com os índices de popularidade. Mas eles servem para demonstrar simplesmente que nosso povo está se sentindo cada vez mais participante deste banquete antes restrito a minorias. E quero lhe reafirmar que a Igreja Católica, assim como outras entidades religiosas, tem uma importante participação neste processo. Seja por sua participação direta nas ações sociais, seja por seu posicionamento cobrando e exigindo políticas de atenção aos excluídos, assim como pela formação de muitas lideranças sociais que hoje são responsáveis por importantes processos de mobilização da sociedade brasileira.

Neste momento, Dom Geraldo, quero agradecer muito a Deus por tudo o que aconteceu nestes anos. Tenho para comigo mesmo que as bênçãos de Deus e de Nossa Senhora Aparecida, cujo Santuário pretendo visitar em ato de gratidão antes do fim deste mandato, foram essenciais para que chegássemos até aqui. E peço suas orações e de todos os Senhores Bispos para que sigamos nesta missão até o último dia deste mandato e que o Povo brasileiro tenha a luz e a sabedoria para fazer sua escolha quanto à nossa sucessão.

Desejo muitas luzes para esta Assembleia que se inicia e cujos resultados sem dúvida tem enorme importância para nosso povo.

Um forte e fraterno abraço.

Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República Federativa do Brasil

Eucaristia: Deus se faz pão e nos torna irmãos

A Eucaristia é o sacramento que manifesta totalmente o nosso compromisso com o Nosso Senhor. Jesus a instituiu na última ceia que celebrou com os seus discípulos, na refeição da Páscoa. Ele sentou-se à mesa e disse: “Desejei muito comer com vocês essa Páscoa, antes de tudo que vou sofrer...” Ele pegou o pão e o vinho, deu graças a Deus e disse: “Isto é o Meu corpo que é dado por vocês. Este é o cálice do Meu sangue que será derramado para o perdão dos pecados” (1 Co 11, 24-25).

Esta ceia de Cristo com seus discípulos foi muito bonita e significativa, amiguinhos. Jesus disse que o pão é Seu corpo, e o vinho, Seu próprio Sangue, porque esta foi a forma mais simples que Ele encontrou para dizer que ficará sempre entre nós. Por isso, Jesus é o alimento para nossa vida cristã.

Hoje a Eucaristia acontece na missa, na hora da Consagração, momento em que Jesus está vivo e presente. A hóstia se torna o corpo de Cristo e o vinho o seu sangue. Em todas as missas, Jesus se torna presente para o nosso alimento. Sem a fé, ninguém entende a Eucaristia. É por isso que o padre, na missa, diz após a consagração: “Eis o mistério da nossa fé”.

*Os textos desta coluna são baseados na “Bíblia para Crianças”, da Editora Canção Nova.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Artigo de Dom Henrique Soares da Costa, Bispo de Aracajú, sobre a Pedofilia

Caro leitor, em algumas partes do mundo – também no nosso País - têm surgido escândalos provocados por padres pedófilos (há também outros vários escândalos ligados à vida sexual dos sacerdotes). Na Europa, sobretudo, a imprensa e certos ambientes da Igreja ditos progressistas vêm procurando associar esses tristes e inaceitáveis casos ao celibato. Eis algumas ponderações que gostaria de fazer:

1. Há, sim, na Igreja, sacerdotes pedófilos. É triste, é vergonhoso, mas é verdade. Eles não estão nela porque a Igreja os promove e os acolhe... Há sacerdotes pedófilos, como há pastores evangélicos pedófilos, pais de família pedófilos, professores pedófilos, juízes pedófilos, médicos, psicólogos, militares e jornalistas pedófilos... Nem mais nem menos! Aliás, como já acenei neste blog, a grande maioria dos abusos de menores dá-se no recinto do próprio lar. Quando era padre acompanhei muitos desses dramas dolorosos e de difícil resolução... Então, por que aparecem muito mais os casos de padres pedófilos? Por vários motivos. Eis alguns: (1) É muito mais difícil para um sacerdote se esconder; (2) os casos com padres são mais divulgados pelo potencial de escândalo e de atrair atenção; (3) há o contato de muitos padres com jovens coroinhas e jovens educandos nas escolas católicas; (4) em alguns países há uma indústria mafiosa para arrancar dinheiro da Igreja com casos de pedofilia verdadeiros ou forjados...

2. Associar a pedofilia ao celibato é pura má fé! Uma coisa é totalmente independente da outra. Um pedófilo pode mascarar-se por baixo do ministério sacerdotal como pode encapar-se num casamento! E são tantos! O celibato é um dom de Deus para a Igreja e, que fique bem claro: não há nenhuma propensão do Papa e do episcopado de suspender a disciplina atual, que exige o celibato dos sacerdotes! A crise de vocação não é motivada pelo celibato, como também a crise de fidelidade não tem no celibato a sua causa! A crise é de fé, não de celibato!

3. É preciso deixar claro o seguinte: o atual processo de secularização, de banalização do sagrado, da redução do sacerdócio a uma profissão e do padre a um fazedor de pastoral - esquecendo a ontologia mesma do sacerdócio, isto é, a essência, o ser mais profundo do padre, que pelo sacramento da Ordem torna-se um homem de Deus, um outro Cristo, um homem inteiramente consagrado "às coisas de Deus” -, é isto, precisamente, que leva ao relaxamento e ao enfraquecimento da vida moral de tantos padres. Há uma tendência, até mesmo em certos setores da Igreja, dever o padre de modo secularizado, tirando-lhe todo o sentido sagrado e místico. Até na nomenclatura, quantas vezes, em tantos ambientes teologicamente doutros, evita-se chamar o padre de sacerdote para denominar-lhe simplesmente presbítero... é de fé católica e é indispensável recordar: o padre deve ser um homem de Deus, um homem sagrado e consagrado, um homem cujo modo de ser e de viver deve trazer claramente as marcas do Eterno!

4. Nunca esqueçamos: somos pecadores! O padre, como qualquer outro ser humano, é membro de uma humanidade ferida, com falhas, com más tendências, com fraquezas. Os padres são assim, os casados são assim, a humanidade toda é assim! O cristianismo ensina claramente que todos somos marcados pela ferida do pecado original. Não somos certinhos, bonzinhos, cheirosinhos! Somos lavados por Cristo, salvos por Cristo, recuperados, curados pela cruz de Cristo! Não é por acaso e não é jogo de cena que ao início de toda a Missa comecemos por bater no peito pedindo perdão. O pecado é uma realidade concreta, forte, próxima, presente na nossa existência. Contra o pecado é necessária a vigilância, a oração, a mortificação, uma profunda adesão ao Senhor. Nunca nos deveríamos assustar com o pecado, mas olhar para o remédio, que é Cristo, e dele fazer uso! Sempre houve padres com más tendências na área sexual-afetiva. Muitos desses conseguiram superar e integrar suas misérias com uma vida espiritual séria e devota. Com a oração, a sincera busca da direção espiritual, a confissão e os demais meios que a Igreja nos oferece para buscar a santidade, é possível ir superando as feridas e quedas e ser um santo sacerdote, um verdadeiro homem de Deus. O padre, o cristão não são uns impecáveis, mas pessoas a caminho no seguimento de Cristo, olhando para Ele, nele colocando a esperança, nele procurando o perdão e nele crescendo dia por dia, até o Dia eterno. O problema é que com a secularização e o relativismo atuais, tudo parece permitido, tudo é jogado na conta da misericórdia de Deus, tudo é resolvido, psicologicamente! Penso que um dos maiores problemas para uma verdadeira e leal vivência do celibato dos padres é, precisamente, a secularização, isto é, a mundanização, a perda da consciência e dos sinais de uma clara identidade que mostra no rezar, no modo de viver, no modo de se divertir... são uma capa para esconder insegurança e vida dupla... Não concordo de modo algum! Há, realmente, aqueles que se prendem de modo exagerado e patológico a sinais externos, como as vestes eclesiásticas e paramentos, descuidando-se de outros aspectos importantes e até mesmo do cultivo de uma piedade profunda, madura e integrada, de um zelo pastoral verdadeiro, de uma simplicidade de vida, sem ostentações ou luxos e sem excessivas preocupações materiais. Mas, daí, a se afirmar, como é costume hoje em muitos meios da Igreja, que valorizar o sagrado do sacerdócio é sinal e sintoma de hipocrisia, de carreirismo, de exibicionismo, de autoafirmação e mascaramento, é realmente um passo muito comprido e serve somente para justificar o outro extremo: a secularização, a vida sem piedade, uma compreensão do sacerdócio de modo simplesmente humano, funcional e mesmo profissional...

5. Vivemos num mundo complexo, paganizado, em crise de valores... Os jovens que entram no seminário não vêm do céu, mas do mundo. É fácil tirar o menino do "mundo", mas tirar o "mundo” do menino, como é difícil. Aqui a urgência de uma formação seminarística que dê mística sacerdotal sólida, madura e profunda aos candidatos ao sacerdócio, também a necessidade de conhecer a dinâmica afetiva dos seminaristas. É preciso ter bem claro: Um rapaz que não consiga ser casto no celibato não pode, de modo algum, ser padre! Um rapaz com tendências pedófilas tem que ser imediatamente mandado embora do seminário. Do mesmo modo, um sacerdote que se mostra incapaz de viver seu celibato deve ser aconselhado a deixar o exercício do ministério e, no caso de pedofilia, deve ser realmente excluído do exercício do sacerdócio: deve ser demitido do estado clerical. Quanto à tão propala condescendência de Igreja com padres pedófilos no passado, é bom não esquecer que não se tinha nem de longe ideia da extensão e da gravidade da situação dessas pessoas pedófilas.... O problema da pedofilia na sociedade é uma realidade que emergiu há poucas décadas atrás e ainda nos surpreende a todos!

6. É bom também que se saiba que na Igreja há o Direito Canônico: ninguém pode ser condenado sem uma acusação formal, sem ser antes advertido, sem o direito de defender-se. Não é justiça e é contra a caridade promover simplesmente uma caça às bruxas. Como também é pecado grave de omissão por parte da autoridade eclesiástica simplesmente fechar os olhos para os escândalos e delitos dos sacerdotes: é necessário tomar corajosamente as medidas cabíveis!

7. Uma coisa importante: a infidelidade de muitos não pode deixar na sombra a fidelidade heróica e silenciosa de muitos e muitos tantos que, no dia-a-dia, sem aparecer nos jornais, dão um esplêndido testemunho de amor a Cristo e aos irmãos. Que ninguém duvide: a grande maioria de nossos padres vive com alegria e amor a Cristo o seu celibato e é digna de todo o respeito e toda a confiança de nossa parte. Os católicos devem ter muito cuidado com uma imprensa em geral anticristã e sensacionalista, preocupada não com a verdade, mas com o escândalo. Quanto já se tentou incriminar o Santo Padre dos mais variados modos! Quanto já se deturpou atitudes e palavras do Papa! Que inferno fizeram os meios de comunicação com o caso da menina do aborto de Alagoinha, em Pernambuco... Até quando seremos ingênuos, achando que os meios de comunicação transmitem a mais pura verdade sem escusos interesses por trás da notícia?

8. Uma última observação: nos momentos de glória e beleza da vida da Igreja (como, por exemplo; no sepultamento de João Paulo II) é fácil estufar o peito e, declarar-se católico. O católico verdadeiro, o verdadeiro filho da Igreja, é aquele que nos momentos de dor e de escândalo, quando a Igreja é apedrejada, chora com sua Mãe católica, crava os olhos em Cristo, reza e permanece fiel. Para este, vale a palavra do Salvador: "Fostes vós que permanecestes comigo em todas as minhas tribulações!” Nunca esqueçamos: o mundo não está preocupado com o bem da Igreja ou das vítimas da pedofilia, mas com o escândalo, o sensacionalismo e a imposição hipócrita do politicamente correto. É só!